sexta-feira, 31 de julho de 2015

A GERAÇÃO Y NA PM

JORNAL O DIA

O que se denomina Geração Y é a nascida após 1980. É caracterizada pela familiaridade e pelo uso intensivo de dispositivos móveis de comunicação em tempo real. A Polícia Militar é composta de pessoas extraídas da sociedade; por conseguinte, seria pura inocência julgar que muitas das atitudes relacionadas à Geração Y não ocorreriam dentro da corporação, razão pela qual muitas vezes vemos nas redes sociais atos não condizentes com o militarismo, vindo muitos desses jovens policiais a ser responsabilizados disciplinarmente por feitos que eles julgam normais. Porém, a PM considera inapropriados aos membros da corporação.

A Geração Y é hoje referência para as gerações anteriores por dominar os aparatos tecnológicos. Fora da Polícia Militar, tal admiração acaba por criar uma certa expectativa de que toda pessoa da Geração Y seria capaz de ter uma ideia genial e se tornar milionária, conforme ocorreu com Mark Zuckerberg, fundador do Facebook. Entretanto, na Polícia Militar ainda há uma forte reação à Geração Y, caracterizada por um conservadorismo em relação a se permitir maior liberdade de criação e de inovação a esses jovens integrantes. Na PM, a prioridade é o respeito aos dois fundamentos basilares do militarismo: A hierarquia e a disciplina, o que sufoca a capacidade de inovação dos policiais da Geração Y. 

Pesquisa realizada pela Cia de Talentos, agência de recrutamento, em parceria com a Nextview People, empresa de pesquisas em gestão e desenvolvimento de pessoas, aponta que ter um negócio próprio já faz parte dos sonhos de 56% dos brasileiros jovens, e 51% deles pretendem empreender em até seis anos. Ora, diante desses números, vemos com preocupação o fato de que um jovem da Geração Y que ingressa na Polícia Militar como soldado deve esperar seis anos para ser promovido a cabo, haja vista que a PM privilegia a promoção por antiguidade, e não por mérito, o que demonstra um conflito de expectativas. Esperar, ou seja, ficar parado para receber uma promoção não é um atributo da Geração Y, muito menos esperar todo esse tempo para ascender apenas à graduação de cabo.

MELQUISEDEC NASCIMENTO - CAP PM

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL O DIA

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A VIOLÊNCIA E O ESVAZIAMENTO DOS ESTÁDIOS DE FUTEBOL

Uma recente pesquisa do IBOPE/LANCE! revelou que 90% dos brasileiros não costumam frequentar os estádios de futebol. Trata-se de um número estarrecedor, haja vista o Brasil ser considerado o País do futebol. Inúmeros motivos foram elencadas pelos entrevistados para não frequentarem os estádios, entre os quais a violência(34,5%), a distância(27%) e o preço dos ingressos(17%).

A pesquisa também revelou que o costume de ir aos estádios de futebol é mais comum entre os que têm renda familiar acima de 10 salários mínimos, enquanto que os torcedores com renda familiar entre 2 e 5 salários mínimos, são os que menos frequentam os estádios, apesar de todo o trabalho de incentivo ao programa sócio-torcedor, cuja finalidade é conceder descontos em torno de 50% nos preços dos ingressos, aos torcedores que se comprometam a pagar R$ 30, em média, de mensalidade ao seu clube de coração, portanto é patente que os altíssimos preços dos ingressos estão fora da realidade do poder aquisitivo dos brasileiros, cabendo aos envolvidos no processo de gestão esportiva rever a atual política de preços.

Em relação à distância como motivo para afastar o torcedor dos estádios, podemos concluir que não é a distância em si, mas o transporte, na verdade, a locomoção que é o principal problema. Há que se buscar soluções para melhorar o transporte não só o público, no caso, os ônibus, mas também os de massa nos dias de jogos, incentivando assim o torcedor a utilizar o metrô e os trens, estes sim transportes de massa, sendo necessário um verdadeiro choque de gestão da qualidade nesses serviços, a fim de estimular o seu uso nos dias de jogos.

Finalizando, há que se tomar medidas contundentes para prover efetiva segurança aos torcedores nos estádios de futebol, pois a violência é o principal fator de esvaziamento dos estádios, conforme revelou a supracitada pesquisa, cabendo, portanto, às autoridades da área de segurança pública, em conjunto com os gestores do futebol buscarem soluções para trazer de volta a sensação de segurança aos torcedores, aumentando assim a presença do público nos estádios, pois ter apenas 10% da população frequentando os estádios, desautoriza o Brasil ser considerado o país do futebol.

MELQUISEDEC NASCIMENTO
CAPITÃO DA PMERJ
SÓCIO-PROPRIETÁRIO DO FLUMINENSE FOOTBALL CLUB

Artigo publicado no jornal O DIA

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A PM DO CONHECIMENTO


A Polícia Militar precisa passar urgentemente por uma transformação estrutural, e só o conhecimento é capaz de empreendê-la. A corporação precisa reconhecer que hoje o principal ativo das grandes organizações é o conhecimento, não havendo mais espaço para a promoção por antiguidade.
Urge implementar forte processo de Educação Corporativa na PM, reformulando o modelo atual, baseado ainda na ‘decoreba’, quando o aluno estuda para passar e, depois de um mês, já esqueceu tudo. Há que se impulsionar o uso contínuo da instrução, bem como a utilização massificada do e-learning e até mesmo do mobile e-learning. Não há mais como ter oficiais sem a devida capacidade para planejar, organizar, liderar e controlar, tampouco praças sem o mínimo de conhecimento técnico-profissional.
Basta de promoções por antiguidade, que não incentivam o PM a estudar e a se qualificar. A sociedade clama por profissionais mais bem preparados para servir e proteger, e a educação corporativa é essencial nesse processo.
Deve-se reformular a legislação para que a corporação tenha uma só forma de ingresso e que todos tenham a mesma oportunidade de chegar ao posto máximo, desde que exclusivamente pelo mérito — não no sentido de fidelidade ao chefe, mas da contínua e persistente qualificação, só sendo promovidos mediante concursos internos. Valorizam-se, assim, os mais capacitados e os mais comprometidos.
O modelo atual de promoções na PM está com os dias contados. Aquele profissional que fica anos parado, sem estudar, apenas esperando subir de posto, ficará no passado, abrindo-se espaços para todos aqueles que não têm receio de disputar uma vaga, com quem quer que seja.
O policial militar que emergirá dessa reforma será aquele que se dedica constantemente ao aprimoramento profissional, isto é, ao verdadeiro PM da sociedade do conhecimento.

MELQUISEDEC NASCIMENTO
CAPITÃO DA PMERJ
SÓCIO-PROPRIETÁRIO DO FLUMINENSE FOOTBALL CLUB
Artigo publicado no jornal O Dia