É interessante a forma como o jornal londrino Financial Times analisa e emite opiniões sobre chefes-de-estado da América latina. Uma matéria e um editorial demonstram claramente o perfil do periódico, grande defensor dos interesses da oligarquia financeira internacional, mantenedora de um sitema financeiro mundial que tem o eixo Londres-Nova York como quartel-general.
Membros dessa oligarquia, com origens que remontam às companhias das índias ocidentais, tentaram inclusive se radicar no nordeste brasileiro, felizmente foram expulsos pelos luso-brasileiros, ao serem derrotados nas Batalhas dos Guararapes, ocorridas ao sul do Recife em 1648 e 1649, consequentemente os fugitivos foram aportar em uma ilha ao norte do continente americano, tendo-a comprado a preço de bagatela dos indígenas locais, dando-lhe o nome de Nova Amsterdam, transformando-a posteriormente em Nova York, de onde até hoje saem as determinações econômicas e políticas para o mundo, quer sejam adoções de Leis de Responsabilidade Fiscal, reformas da seguridade social, privatizações e invasões a países que ameaçem deixar de utilizar o dólar como moeda de troca em transações internacionais, caso do Iraque. Ressalte-se que os brasileiros foram o único povo das Américas capaz de vencer essa oligarquia, deixando claro que hoje podemos novamente vencer a Nova Batalha de Guararapes, ajudando a libertar as nações latino-americanas, as quais mediante a nação do norte, encontram-se sob fortíssima dominação econômica.
Matéria do alusivo jornal datada de 08 Mar 2007, intitulada "Uma serenata no quintal:Os porquês das aberturas latinas de Bush poderão cair em ouvidos moucos" traz uma série de argumentos para explicar a ascensão do Bolivarianismo e a queda do neoliberalismo na América latina, apresentando o presidente Hugo Chávez como uma crescente ameaça às reformas neolibeirais implementadas na região no incío dos anos 1990. O jornal cita entre outros motivos para o crescimento do bolivarianismo, a indiferença do governo estadunidense ao colapso financeiro da Argentina e o que chamou de "resposta desajeitada ao golpe para derrubar o presidente venezuelano Hugo Chávez em 2002". Na verdade, foram os retornos medíocres das reformas pró-mercado apoiadas por Washington que reduziram ainda mais a influência americana na região, razão pela qual há uma forte reação ao projeto neoliberal na América-Latina que depois de 16 anos não acabou com a miséria na região, pelo contrário, mantem um em cada quatro pessoas sobrevivendo com apenas US$ 2 por dia.
No editorial de 24 de maio de 2007, intitulado "A grande chance de Lula", o Financial Times elogia a política econômica implementada no Brasil, o que é estranho, haja vista ser o governo Lula, em tese, um governo do povo e não das elites. A grande verdade é que o Brasil está agradando a oligarquia financeira internacional, cujo periódico da City de Londres afirma que "a economia do Brasil sem dúvida está com um pé firme". O editorial insta o Brasil a aproveitar o que chama de "sua oportunidade para o desenvolvimento", adotando as reformas para reduzir o déficit do sistema previdenciário público, que qualifica de "caro e disfuncional", além de opinar sobre reformas das leis trabalhistas que qualifica de "inflexíveis e que têm como modelo, em grande parte, as práticas da Itália de Mussolini".O editorial alerta ainda que "o Brasil tem uma janela única de oportunidade" e termina exortando as elites políticas do Brasil que "abandonem seus interesses próprios e levem Lula a promover uma estratégia mais ambiciosa", isto é, que sejam implementatas as reformas da previdência e trabalhista.
Enquanto a oligarquia financeira internacional vocifera contra Hugo Chávez, elogia abertamente o presidente Lula, portanto chegamos a um impasse que nos remete às Batalhas de Guararapes, quando nossos ancestrais decidiram ter automia frente a essa quadrilha secular, em vez de se submeter aos seus ditames. Da mesma forma, hoje somos instados a escolher entre o Eixo City de Londres - Wall Street ou o corpo político idealizado por Simón Bolívar, escolher entre a miséria secular em nome da liberdade,ou a pujança econômica em nome da autonomia político-econômica.
MELQUISEDEC NASCIMENTO
PRESIDENTE DO INSTITUTO ABREU E LIMA
ASSISTA AO VÍDEO SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA:http://www.youtube.com/watch?v=JJgVu3e_FBk
5 comentários:
Muitos se esquecem que a previdencia é como um consórcio. O contribuinte paga a vida inteira para depois receber a aposentadoria. Se existe rombo na previdencia, isso foi porque o contribuinte foi lesado e enganado. Deste modo, a reforma da previdencia nada mais é do que um roubo, um calote em cima do otário que contribuiu.
Se o financial times acha que isso pode resolver os problemas do Brasil, deveria achar tambem que um calote nos banqueiros agiotas seria muito bom. Afinal, a nossa dependencia junto ao sistema financeiro internacional, a nossa divida externa contraida por militares golpistas ilegitimos e ilegais, isso sim cria a pobreza e a fome no Brasil, pois o governo deixa de investir no social para pagar juros.
Quanto a reforma trabalhista, isso é porque as empresas estrangeiras, além de aproveitar a nossa mão de obra barata, não querem pagar os encargos sociais.
Porém, existe sim um lado ruim nessa politica trabalhista e isso que deve ser reformada de forma a atender o interesse do povo. Seria bom para a economia se houvesse menos burocracia e encargos, pois isso prejudica muito a pequena e media empresa nacional, bem como causa desemprego e informalização.
De qualquer modo, depois da derrota dos comunistas, o governo Clinton lançou uma estratégia "vaselina" para dominar o mundo: o "anel liberalismo".
Prometeram investimentos caso os interesses deles fosse atendidos. E os interesses eram privatizar a economia e acabar com a seguridade social.
Chamam isso de economia "liberalizada". Porém, tal politica economica só vem criando desemprego, pobreza e insegurança.
Portanto, vemos que a intenção do "mercado" é ganhar dinheiro para levar embora. Para isso, não interessa se o povo local vive ou morre.
Excelente comentário.
O que me deixa atordoado é que diante de um governo neoliberal como esse do PT, ainda tem gente que acha que essa turma é COMUNISTA!!!!!
O Financial Times, legítimo representante da Oligrquia Financeira Internacional, aplaude Lula, talvez esse episódio sirva para tirar as escamas dos olhos desses intelectuais que vêem comunista em tudo quanto é lugar.
Um abraço
Quanto ao Lula, é preciso entender que existe o estado e o governo. O governo dura 4 anos, já o estado se mantém até por séculos.
O Lula na verdade entendeu que o papel dele é de ator que trabalha para quem pagar mais. Ele é o "homem do povo" da campanha de marketing.
O Lula é semi analfabeto. Pode possuir muito conhecimento de amigos e parentes, fala com fulano e beltrano, "negocia" isso e aquilo, mas ele não é um estadista.
Ele é apenas o homem "bonzinho", que veio do povo, que vive viajando em turnê, inaugurando obra aqui e ali.
Portanto, seja lá o presidente que for, se esse se meter a mudar ou revolucionar o estado brasileiro, esse governo vai rodar. Se fosse mesmo mudar diretrizes do estado, Lula não teria nem sido eleito.
Certamente, durante sua campanha, Lula visitou os banqueiros, as associação cristãs e judaicas, os miltares, os americanos e etc. Visitou para dizer que daria continuidade as politicas de estado. Lembra daquele encontro com Bush?
Já o Chaves, esse está mexendo nas politicas de estado. Ele está mudando essa estrutura. Por isso vemos tanta choradeira e conspiração.
Mas o Lula não, muito pelo contrario. Lula respeita os "contratos". Lula é como um padre, fica sempre do lado do dinheiro e do poder.
Para mim, por um lado isso é bom. Bem ou mal, isso garante mais estabilidade e segurança. Se o Lula, burro do jeito que ele é, se metesse a ser revolucionario, esse hoje já estaria comendo capim pela raiz. Estariamos agora no colapso total.
Não sou comunista tambem. Sou capitalista jeffersoniano, aquele baseado na honestidade e na igual oportunidade para todos.
Não gosto do comunismo, sou a favor da propriedade privada. Mas tudo tem um limite. Certas vezes, o estado, no caso aqui o interesse do povo, esse precisa agir.
Muitos latifundios, por exemplo, podem ser considerados area de extrativismo predatório. Assim como são os minerios, o campo deveria ter controle e/ou regulamentação do estado.
Já o socialismo, isso se resume em pagar altos impostos, para o estado bancar saude, educação e etc.
Acho que no Brasil, devido a cultura de corrupção generalizada, socialismo não funciona. Pagamos quase que os mesmo impostos da Suécia (um pais socialista) e não temos nada. Os corruptos roubam tudo.
Por isso, acho que o certo mesmo é criar mecanismos que inviabilizam a corrupção. Liberar é um dos mecanismos mais eficientes.
Se não houvessem impostos, não haveria fiscalização. Não havendo fiscalização, não há corrupção.
Voce pode estar achando que é maluquice. Sei que não dá para abolir todos os imposto e pelo menos um minimo do estado precisa existir (para garantir a lei e a ordem).
Contudo, para mim, o certo é não haver impostos. Em contrapartida, não tem serviço publico. Pague se quiser. Voce pode ser cidadão se quiser. Assim o estado, para receber alguma coisa, precisaria ter credibilidade.
Se o sujeito quer ter os serviços publicos, esse então que pague ou contribua. Pagar imposto e contribuir, isso não deveria ser compulsório. Quem não quer os serviços do estado, então não paga, pode inclusive pagar o concorrente privado.
Ou seja, a revolução que o Brasil precisa é desinchar e descentralizar o estado, acabando assim com os impostos. Essa é a melhor maneira de exterminar com a raça da corrupção.
Essa corrupção existe devido a leis medievais, ao estado inchado gastador, a burocracia ilimitada e impostos extorsivos. Assim sempre haverá o traficante, o contrabandista, o informal e o corrupto.
Só assim, sem impostos, é que haverá o fim da recessão, só assim teremos empregos e distribuição de renda. É preciso existir um estado que aja somente naquilo que é realmente necessario, sem extorquir nem matar a economia.
Portanto, deveriamos pagar, se quiser, pela propria educação, saude e seguridade social. É a livre iniciativa e oportunidades para todos! Cada um que cuide da propria vida, e o estado que se meta somente onde for realmente necessario.
Bem, estou lisonjeado pelo nível dos debatedores no Blog. Para aprofundar o debate neste mesmo tópico, estou postando o artigo abaixo, que foi publicado ontem na Folha de São Paulo:
CLÓVIS ROSSI
Ânimo, não estamos sós
PARIS - Acredite, meu caro, a classe política italiana está mais podre que a nossa, conforme informações publicadas ontem pelo jornal espanhol "El País".
Aproveito, aliás, para manifestar a inveja que sinto de dois jornalistas italianos do "Corriere della Sera" por terem achado a designação e a descrição certas para os políticos italianos, que servem à perfeição para os brasileiros. O título do livro é "La Casta", e o subtítulo, "assim os políticos italianos se tornaram intocáveis". Vale lá, vale no Brasil.
Ainda mais que, segundo "El País", o tema central do livro é "o custo dos políticos e os inúmeros casos de corrupção institucional, abuso de poder e nepotismo". Nada, portanto, que não seja familiar aos brasileiros.
Ousaria dizer, no entanto, que, em matéria de mordomia, os conterrâneos de meu avô são imbatíveis: a Presidência, basicamente decorativa em sistema parlamentarista, dispõe de 13 aviões, dos quais quatro são Boeings-737, mas gastou mesmo assim 65 milhões (cerca de R$ 170 milhões) em aluguel de aviões adicionais.
O Estado italiano dispõe de 150 mil carros oficiais, com os respectivos motoristas, e por aí vai. Não é um fenômeno novo. Quando era criança, sempre ouvia minha avó dizer: "Piove, governo ladro".
Até a chuva era culpa do governo larápio, coisa que ela deve ter ouvido dos pais italianos. Não obstante, a Itália saiu dos escombros da guerra para ser a quinta potência mundial, com notável qualidade de vida. O Brasil, ao contrário, sem guerra e com casta política similar, fica eternamente patinando na sua conhecida mediocridade. Será que somos tão espantosamente incompetentes que não conseguimos progredir o suficiente enquanto os políticos dormem para que o progresso não seja todo destruído quando eles acordam?
Ou as máfias italianas é que são melhores que as nossas?
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crossi@uol.com.br
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