
Foi no verão passado. Os três tiranos ainda enchiam o peito de orgulho, debruçados sobre um barril de petróleo a mais de US$140. O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e seu colega venezuelano Hugo Chávez culpavam o "imperialismo" dos Estados Unidos - o primeiro, em nome da revolução islâmica, e o segundo, da bolivariana. O chefe do governo russo, Vladimir Putin, invadia a Geórgia antes de reconhecer unilateralmente a independência da Ossétia do Sul e da Abcásia.
Há cinco anos esses "petro-tiranos" apoiavam seu poder político e a estabilidade de seu regime sobre a redistribuição das colossais receitas obtidas com o ouro negro, do qual esses países são os principais exportadores. Eles não desistiram dessas ambições - regionais para Caracas e Teerã, mundiais para Moscou -, mas eles não possuem mais os meios. Por enquanto, pelo menos. A demanda por petróleo cairá em 2008-2009 pela primeira vez em 25 anos, e seu preço corre o risco de permanecer por um bom tempo abaixo de US$40.
Esse reverso da fortuna enfraquece os três dirigentes, tanto no exterior como no interior. Eles tiveram de adotar um tom mais conciliador em relação a Washington. É verdade que a chegada de Barack Obama à Casa Branca acalmou um pouco os inimigos jurados da administração Bush. O presidente iraniano se diz "pronto" para discutir diretamente com o Grande Satã americano e Chávez pede por "novas relações" com seu poderoso vizinho, ainda que ambos clamem por um diálogo "entre iguais". Apenas Putin parece se firmar em uma linha dura, ao mesmo tempo em que se preocupa com a fuga dos investidores e dos capitais estrangeiros.
Convencidos de que o petróleo caro era um fato intangível, eles haviam elaborado seus orçamentos de 2009 sobre um preço de barril duas vezes mais alto que o de hoje. Eis que eles se confrontam brutalmente com a recessão e pressões para que lancem mão de suas reservas de divisas, visando financiar suas políticas sociais. No ritmo em que andam as coisas, elas podem se esgotar até o fim de 2010. Eles também pagam por sua má gestão e sua incapacidade de preparar o futuro. Ahmadinejad, Chávez e Putin não aproveitaram os anos de petróleo caro para reduzir a dependência de suas economias dos hidrocarbonetos, principal fonte de divisas, de atividade e de riqueza. Mas, paradoxalmente, eles não investiram o suficiente nas infraestruturas energéticas para cuidar dessa galinha dos ovos de ouro, ao contrário do que fizeram as monarquias do Golfo.
Esses dirigentes chegaram a fazer de tudo para dissuadir as companhias internacionais de lhes trazer financiamento e know-how. Teerã desenvolveu seu programa de energia nuclear, desencadeando um embargo internacional sobre a importação de equipamentos estratégicos. Moscou criou uma insegurança jurídica permanente para reduzir o lugar dos grupos petroleiros estrangeiros (Shell, BP...). Caracas nacionalizou a torto e a direito e afugentou algumas multinacionais ocidentais.
Tantos maus cálculos. Suas jazidas podem ser gigantescas (gás iraniano nas águas do Golfo, hidrocarbonetos da Sibéria, óleos pesados do Orinoco venezuelano), mas o custo para explorá-las é muito alto, e elas requerem tecnologia ocidental. A produção está estagnada ou recua nesses países: a Venezuela bombeia menos petróleo do que em 1998, ano da ascensão de Chávez ao poder; o Irã produz 40% menos do que na época do Xá; e a Rússia conseguiu uma plataforma de produção em 2008. Dos três membros do trio, que estreitaram seus laços militares e econômicos, Ahmadinejad é o mais vulnerável. Abandonado por certos conservadores e ameaçado pelo ex-presidente reformista Mohammed Khatami, sua reeleição em junho foi comprometida por um saldo catastrófico. Ele, que havia prometido depositar o dinheiro do petróleo na mesa dos pobres (uma grande parte dos 75 milhões de iranianos), só trouxe a inflação. A economia desmoronou e, com ela, a popularidade do ex-oficial da Guarda Revolucionária.
A recente vitória de Chávez no referendo, que lhe permite se representar até o fim de seus dias, é uma ilusão. Ainda que ele possa mostrar um bom saldo em sua luta contra a pobreza, a economia vai mal, e ele pagará o preço quando o caixa do Estado estiver vazio. Quanto à popularidade de Putin, ela ainda resiste à crise, mas a hora da verdade soou após oito anos de um crescimento forte (8%) e ininterrupto. Será que esses autocratas se esquecerão de sua antiga hostilidade pelo Ocidente? Isso é incerto. No Irã, a retirada do programa nuclear é um pré-requisito para qualquer política de crescimento econômico. Mas na Venezuela, o leilão das novas concessões petroleiras, em maio, será um bom teste para o estado de espírito de Chávez. E os dirigentes russos não desistiram de recriar parcerias industriais com empresas americanas ou europeias.
Se ela não se prolongar, a crise pode, a médio prazo, jogar a favor desses regimes. Ao criar, ainda que involuntariamente, tensões sobre o fornecimento de petróleo por seu subinvestimento, eles prepararam o terreno para um novo aumento de preços quando a demanda voltará no fim da recessão, talvez a partir de 2010. O valor do barril poderia, então, subir a US$80 ou US$100, e a abundância de petrodólares pode voltar a encher o caixa. Talvez esses Estados reencontrem seu poder perdido. E seus dirigentes também.
Há cinco anos esses "petro-tiranos" apoiavam seu poder político e a estabilidade de seu regime sobre a redistribuição das colossais receitas obtidas com o ouro negro, do qual esses países são os principais exportadores. Eles não desistiram dessas ambições - regionais para Caracas e Teerã, mundiais para Moscou -, mas eles não possuem mais os meios. Por enquanto, pelo menos. A demanda por petróleo cairá em 2008-2009 pela primeira vez em 25 anos, e seu preço corre o risco de permanecer por um bom tempo abaixo de US$40.
Esse reverso da fortuna enfraquece os três dirigentes, tanto no exterior como no interior. Eles tiveram de adotar um tom mais conciliador em relação a Washington. É verdade que a chegada de Barack Obama à Casa Branca acalmou um pouco os inimigos jurados da administração Bush. O presidente iraniano se diz "pronto" para discutir diretamente com o Grande Satã americano e Chávez pede por "novas relações" com seu poderoso vizinho, ainda que ambos clamem por um diálogo "entre iguais". Apenas Putin parece se firmar em uma linha dura, ao mesmo tempo em que se preocupa com a fuga dos investidores e dos capitais estrangeiros.
Convencidos de que o petróleo caro era um fato intangível, eles haviam elaborado seus orçamentos de 2009 sobre um preço de barril duas vezes mais alto que o de hoje. Eis que eles se confrontam brutalmente com a recessão e pressões para que lancem mão de suas reservas de divisas, visando financiar suas políticas sociais. No ritmo em que andam as coisas, elas podem se esgotar até o fim de 2010. Eles também pagam por sua má gestão e sua incapacidade de preparar o futuro. Ahmadinejad, Chávez e Putin não aproveitaram os anos de petróleo caro para reduzir a dependência de suas economias dos hidrocarbonetos, principal fonte de divisas, de atividade e de riqueza. Mas, paradoxalmente, eles não investiram o suficiente nas infraestruturas energéticas para cuidar dessa galinha dos ovos de ouro, ao contrário do que fizeram as monarquias do Golfo.
Esses dirigentes chegaram a fazer de tudo para dissuadir as companhias internacionais de lhes trazer financiamento e know-how. Teerã desenvolveu seu programa de energia nuclear, desencadeando um embargo internacional sobre a importação de equipamentos estratégicos. Moscou criou uma insegurança jurídica permanente para reduzir o lugar dos grupos petroleiros estrangeiros (Shell, BP...). Caracas nacionalizou a torto e a direito e afugentou algumas multinacionais ocidentais.
Tantos maus cálculos. Suas jazidas podem ser gigantescas (gás iraniano nas águas do Golfo, hidrocarbonetos da Sibéria, óleos pesados do Orinoco venezuelano), mas o custo para explorá-las é muito alto, e elas requerem tecnologia ocidental. A produção está estagnada ou recua nesses países: a Venezuela bombeia menos petróleo do que em 1998, ano da ascensão de Chávez ao poder; o Irã produz 40% menos do que na época do Xá; e a Rússia conseguiu uma plataforma de produção em 2008. Dos três membros do trio, que estreitaram seus laços militares e econômicos, Ahmadinejad é o mais vulnerável. Abandonado por certos conservadores e ameaçado pelo ex-presidente reformista Mohammed Khatami, sua reeleição em junho foi comprometida por um saldo catastrófico. Ele, que havia prometido depositar o dinheiro do petróleo na mesa dos pobres (uma grande parte dos 75 milhões de iranianos), só trouxe a inflação. A economia desmoronou e, com ela, a popularidade do ex-oficial da Guarda Revolucionária.
A recente vitória de Chávez no referendo, que lhe permite se representar até o fim de seus dias, é uma ilusão. Ainda que ele possa mostrar um bom saldo em sua luta contra a pobreza, a economia vai mal, e ele pagará o preço quando o caixa do Estado estiver vazio. Quanto à popularidade de Putin, ela ainda resiste à crise, mas a hora da verdade soou após oito anos de um crescimento forte (8%) e ininterrupto. Será que esses autocratas se esquecerão de sua antiga hostilidade pelo Ocidente? Isso é incerto. No Irã, a retirada do programa nuclear é um pré-requisito para qualquer política de crescimento econômico. Mas na Venezuela, o leilão das novas concessões petroleiras, em maio, será um bom teste para o estado de espírito de Chávez. E os dirigentes russos não desistiram de recriar parcerias industriais com empresas americanas ou europeias.
Se ela não se prolongar, a crise pode, a médio prazo, jogar a favor desses regimes. Ao criar, ainda que involuntariamente, tensões sobre o fornecimento de petróleo por seu subinvestimento, eles prepararam o terreno para um novo aumento de preços quando a demanda voltará no fim da recessão, talvez a partir de 2010. O valor do barril poderia, então, subir a US$80 ou US$100, e a abundância de petrodólares pode voltar a encher o caixa. Talvez esses Estados reencontrem seu poder perdido. E seus dirigentes também.
4 comentários:
Estou aqui, há vários dias aguardando uma resposta, até agora nada. Cadê os defensores da PULIÇADA.
ATÉ AGORA, NÃO TIVE RESPOSTA DO MEU COMENTÁRIO......
PORQUE, O CHEFE DE GABINETE DO DEP.DEFENSOR DA PULIÇADA, NÃO RESPONDE, JÁ QUE ELE FICA CALADO.
MAIS UMA VEZ, VENHO DIZER: (26)
E AÍ, SR. DEP. VAGNER MONTES, DEFENSOR DAS POLIÇADAS, FAÇA SEU COMENTÁRIO NESTE BOLG, REFERENTE A REPORTAGEM ABAIXO:
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
VIGILANTE, GANHA MAIS QUE PMs NO RIO DE JANEIRO
18/02/2009 21:11:00
Com o novo reajuste o piso salarial passa de R$ 690,64 para R$ 752,79, e o tíquete refeição sobe de R$ 7,10 para R$ 7,80
Rio - Em assembléia realizada na noite desta quarta-feira, no Sindicato dos Vigilantes do Município do Rio, os trabalhadores aprovaram a proposta patronal de 9% de reajuste no salário e 9% no tíquete-refeição, oferecidos pelo Sindicato das Empresas de Segurança (Sindesp) durante mesa redonda com os 12 sindicatos de vigilantes do estado
ONDE ESTÃO OS COMENTÁRIOS DOS SENHORES DEPUTADOS FEDERAIS RODRIGO MAIA, OTÁVIO LEITE E SOLANGE AMARAL, QUE TEM SUAS FOTOS PUBLICADAS PERMANENTEMENTE NESTE BLOG, SOBRE SUAS POSIÇÕES QUANTO A PEC 300/2008. NENHUM ACESSOR SE MANIFESTA???
CONFERÊNCIA DE ASSINATURAS
Proposição: PEC 0300/08
Autor da Proposição: ARNALDO FARIA DE SÁ E OUTROS
Data de Apresentação: 04/11/2008
Ementa: Altera a redação do § 9º, do artigo 144 da Constituição Federal.
Possui Assinaturas Suficientes: SIM
Totais de Assinaturas: Confirmadas 184
Assinaturas Confirmadas de Deputados
Federais do Estado do Rio de Janeiro.
BERNARDO ARISTON PMDB RJ
CHICO ALENCAR PSOL RJ
EDMILSON VALENTIM PCdoB RJ
EDUARDO LOPES PSB RJ
EDUARDO CUNHA PMDB RJ
FELIPE BORNIER PHS RJ
FILIPE PEREIRA PSC RJ
GERALDO PUDIM PMDB RJ
JAIR BOLSONARO PP RJ
JORGE BITTAR PT RJ
LEANDRO SAMPAIO PPS RJ
LEONARDO PICCIANI PMDB RJ
NEILTON MULIM PR RJ
NELSON BORNIER PMDB RJ
ROGERIO LISBOA DEM RJ
Devemos lembrar que a ausência de assinaturas dos demais Deputados do Estado do Rio de Janeiro NÃO representa o seu não apoio a PEC 300/08, pois essas assinaturas são apenas para que aja uma tramitação da Proposta na Câmara (necessário 1/3 dos Deputados). Posteriormente SIM, iremos precisar da maioria dos votos dos 513 Deputados que compõem a Câmara Federal. Nesta hora, devemos observar os votos dos Deputados Fluminenses que apóiam nossa causa.
Que os PMs e BMs dos outros estados façam o mesmo.
Mesmo o que não é expressamente previsto pela Constituição Federal como direito (como é o caso da percepção de soldo não inferior ao salário mínimo por militares), pode representar conquista fundada em legislação infraconstitucional.
A Constituição do Estado do RJ já estabelece a garantia, reconhecida pelo STF, aos integrantes da Políca Militar e do Corpo de Bombeiros Militar:
"Art. 92 - Aos servidores militares ficam assegurados os seguintes direitos:
I - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo..."
O pagamento de soldos abaixo do salário mínimo colide frontalmente com a Constituição Estadual! No RJ, o soldo dos soldados PM/BM permanece inferior ao salário mínimo nacional, perfazendo míseros R$ 236,63.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro tem que equiparar o menor soldo da PMERJ e do CBMERJ ao salário mínimo vigente (R$ 465,00). Para isto, precisa dar um reajuste linear de 96,51% para toda a tropa!
Logo e diante o teor da decisão do STF, faço votos que independentemente do esforço legislativo alusivo à aprovação da PEC 24/08, nossas associações de classe tomem as competentes providências legais alusivas à matéria, a fim de resgatar a dignidade salarial da família militar estadual.
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