
O governador José de Anchieta Júnior (PSDB) solicitou ontem ao Ministério da Justiça e ao Ministério da Defesa que a Força Nacional de Segurança e o Exército Brasileiro, respectivamente, atuem para dar um ponto final à greve de policiais e bombeiros militares iniciada na segunda-feira, 30.
Segundo apurou a Folha, a Força Nacional atuaria no policiamento ostensivo nas ruas, enquanto caberia ao Exército desocupar os prédios da PM invadidos por policiais e seus familiares.
Em entrevista à Folha, o comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, general Carlos Alberto Barcellos, disse não ter conhecimento do pedido. “Não tenho conhecimento e qualquer decisão nesse sentido deve fluir pelo canal de comando, de acordo como prevê a lei”, informou.
Já o emprego da Força Nacional de Segurança foi autorizado ontem à noite pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça. Conforme a autorização, os policiais atuarão no policiamento ostensivo nas ruas. O dia de hoje será dedicado ao planejamento da operação.
Caso a greve seja encerrada, a atuação da tropa federal também será finalizada, encerrando a convocação dos soldados federais. Por volta das 22h30 de ontem, os líderes do movimento grevista foram chamados para uma conversa na sede do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), no bairro Calungá.
A expectativa é que a qualquer momento poderia encerrar a manifestação. Até o encerramento desta edição, por volta das 23h, ainda não havia terminado a reunião.
Sobre o emprego das tropas federais, o deputado estadual Flamarion Portela (PTN) disse que esse pedido representa a repressão. “A repressão é muito ruim, ela oprime, intimida, sou muito mais o diálogo. Que não haja radicalismo de ambas as partes”, ponderou.
A deputada Aurelina Medeiros defendeu o emprego das forças federais, uma vez que o Estado é responsável pela segurança pública, e que em situações como estas, precisa buscar mecanismos para mantê-la.
Governo diz ser impossível aumento acima dos 14,5%
Em entrevista a uma emissora de TV local ontem, sobre a greve dos policias e bombeiros militares, o governador Anchieta Júnior disse que é impossível conceder o reajuste que eles pediram. O governador esclareceu que, mesmo contrariando o momento de crise no mundo, no Brasil e no Estado, mas em consideração à categoria, juntamente com a equipe da Secretaria de Planejamento e Finanças está fazendo um esforço e propuseram um aumento de 14,5% dividido em duas parcelas: 7,5% a partir abril, e 7% a partir de primeiro de outubro.
Ele lamentou que a atitude de alguns homens da Polícia Militar poderá manchar a história da Polícia de Roraima. Perguntado sobre a paralisação dos professores na semana passada, também com pedido de reajuste salarial, o governador disse que é uma incoerência visto que o próprio presidente Lula (PT) foi à televisão na semana passada e lembrou do seu tempo de líder sindical, mas entende que esse momento é humanamente impossível se falar em aumento salarial.
Os professores, no ano passado, tiveram aumento de 15% além da progressão que eles esperavam há 14 anos. “O governo pagou R$ 40 milhões para mais de cinco mil professores. Temos o melhor salário de professor da federação. Então, nesse momento de crise é bom que o funcionário público tenha bom senso. Estou fazendo um esforço fenomenal para não demitir, para pagar em dia os salários porque entendo que a participação do salário do servidor público na economia local é importante”, argumento.
“Então algumas facções, alguns grupos que representam algumas categorias envolvidas até por alguns políticos que não têm responsabilidade com o nosso Estado, estão sendo induzidas a seguir por esse caminho, mas infelizmente não se pode fazer nada diferente. Lamentavelmente não tenho como discutir questão salarial neste momento”, frisou o governador ao dizer que houve uma queda em torno de 20% na arrecadação.
Com relação aos reajustes salariais diferenciados, a exemplo da categoria dos engenheiros, Anchieta explicou que são situações diferenciadas porque a política salarial é uma questão de gestão. “Em abril do ano passado, começamos a atender algumas categorias e iniciamos pelos engenheiros, que é uma categoria que tem uma legislação vigente que requer um piso de oito salários e meio. Isso é do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea). Por isso, fizemos alguns reajustes diferenciados, porque entendemos que são profissionais que admitem as mais variadas posições dentro do governo”, alegou.
Sobre a lei que prevê o Plano de Cargos e Salários, ele explicou que tem uma equipe formada trabalhando e que estão estudando todas essas variáveis para chegar a um consenso para que a política salarial independa do governador e seja uma política definida como um programa de governo.
“Infelizmente, o momento em que estamos vivendo é muito difícil. No caso da Polícia Militar, nós temos uma determinação judicial em mãos declarando a ilegalidade da greve. Um oficial de justiça tentou entregar esse documento hoje [ontem] pela manhã e foi impossibilitado. Eu não esperava isso da PM, mas acredito que vamos chegar a um acordo. Os homens da segurança pública têm que entender que Justiça é para ser cumprida”, garantiu.
Sobre o risco de demissões em Roraima, o governador falou que está fazendo “um esforço muito grande” para não demitir ninguém e que se a crise não se acentuar, vai poder segurar e manter a folha e o número de funcionários de cargos comissionados. “Dentro de um esforço vamos permanecer assim”, disse.
Comandante da PM cassa porte de arma de policiais
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Jairo Elgaly, decidiu cassar ontem à tarde o porte de arma de todos os policiais militares estaduais, além de suspender a cautela dos armamentos por tempo indeterminado.
A decisão baseou-se na Portaria 002/PM-2, de 15 de fevereiro de 2005, que diz que fica a critério do comandante-geral da corporação, quando envolver disciplina policial militar, cassar imediatamente o porte de arma do policial.
Segundo o coronel Elgaly, essa atitude visa dar maior segurança ao processo de negociação com os policiais aquartelados, a manutenção da hierarquia e disciplina, além de garantir a pacificação do movimento.