A Parábola descrita em Mateus 25:31-46, cujo ensinamento ministrado pelo Senhor Jesus tem sido, através do séculos, interpretado como sendo um Juízo individual, ou seja, cada pessoa prestando contas a Deus de suas atitudes, nestes últimos tempos, mais precisamente a partir do final do século XIX, passou a ser interpretado como um JUÍZO DE NAÇÕES,interpretação esta defendida hoje pelos chamados dispensacionalistas.
Autores têm dito que este Juízo não pode ser o juízo final, haja vista que Cristo ao voltar, primeiro vai estabelecer um Reino de mil anos de paz e prosperidade na terra, tendo como capital de seu governo a Jerusalém terrestre e os Judeus como povo proeminente. Tal interpretação usa um método bastante estranho, pois a parábola dos Bodes e das Ovelhas é claríssima quanto ao objetivo do Sumo Mestre, a saber, ensinar aos discípulos o que vai ocorrer na sua vinda. A interpretação vigente entre os chamados dispensacionalistas gera diversas questões, as quais passaremos a discutir.
A primeira questão que surge é a seguinte: Considerando que o livro de apocalipse só seria escrito cerca de 70 anos após o Senhor Jesus recitar a parábola dos bodes e das ovelhas, muitos cristãos morreram ,então, tendo recebido um "ensinamento errado" da parte do Mestre, pois qualquer ouvinte, ou leitor, desta parábola, se não ler o livro de apocalipse, para não dizer os livros escatológicos dos dispensacionalistas, vai indubitavelmente entender que a parábola dos bodes e das ovelhas se refere ao Juízo Final.
Ademais, sendo Cristo o Mestre por excelência, é óbvio que ele não iria ministrar um "ensinamento errado" a uma geração de discípulos, sabendo Ele que sua doutrina iria ser transmitida oralmente através de seus ouvintes, até que os Evangelhos e o livro de apocalipse fossem escritos mais de meio século depois, ainda mais sabendo que a expectativa de vida naquela época era baixíssima.
Outra questão que surge da leitura da parábola, comparando com a interpretação dos dispensacionalistas em vigor, é o relatado em Mateus 25: 31, que diz: " Quando o Filho do Homem vier em sua glória e todos os santos anjos com Ele, então se assentará no TRONO DE SUA GLÓRIA" . Lendo Mateus 19: 28 que diz: " disse-lhe Jesus: Em verdade vos digo que vós que me seguistes, quando da REGENERACAO, o Filho do Homem se assentar no TRONO DE SUA GLÓRIA, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel", vemos, portanto, que o Filho do Homem, quando de sua vinda é que Ele vai se assentar no trono de sua glória e que nessa ocasião é que vai ocorrer a regeneração dos céus e da terra, havendo também um Juízo no qual os discípulos também serão juizes.
Não se trata aqui de que somente os doze Apóstolos terão autoridade para julgar, pois Judas iscariotes estava entre os ouvintes e o seu substituto foi Matias, conforme Atos 1:26 , cujo ministério foi ínfimo, e convenhamos, Cristo será que manteria o maior dos Apóstolos, no caso, Paulo, fora dessa honra?
Portanto, caros leitores, doze é um número simbólicos, representando todos os salvos que após ouvirem o " Vinde benditos de meu pai", ou seja, após serem separados mediante o arrebatamento, passarão a exercer o ofício de Juizes, conforme o próprio Paulo disse em I Coríntios 6: 3 que diz: "Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos, quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?"
A questão principal, portanto, é : Cristo está dizendo que o assentar no trono de sua glória ocorrerá na regeneração e é patente que regeneração significa " novo céu e nova terra em que habita a justiça". Conclui-se então , que a Parábola dos bodes e das ovelhas se refere ao juízo Final.
Alguns Teólogos dispensacionalistas atuais para corroborarem a interpretação de que a parábola dos bodes e das ovelhas, não se trata do Juízo Final, mas sim de um Juízo de nações, recorrem ao original , que para TODAS AS NAÇÕES , tem no Grego PANTA TA ETHNE, e que o Juízo seria sobre os líderes das nações . Ora, em Mateus 28: 19, onde lemos: " Portanto ide, ensinai TODAS AS NAÇÕES, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo" , todas as nações aqui também é PANTA TA ETHNE . Será então que O Senhor Jesus nos mandou pregar somente aos líderes das NAÇÕES?
Continuando a análise da referida parábola, surge outra questão fantástica. Se os justos(ovelhas) recebem como sentença a vida eterna e os ímpios(bodes) recebem o tormento eterno, conforme lemos em Mateus 25:46, quem ficaria para o suposto Reino Milenial de proeminência judaica?
Vejam, caros leitores, a encruzilhada que os teólogos dispensacionalistas em seu afã de defender um reino terrestre nos levam. Afirmam também que os pequeninos irmãos de Jesus são os Judeus carnais. Ora, sabemos que os irmãos de Jesus são aqueles que escutam as palavras de Deus e a executam, como o próprio Mestre ensinou, quando lhe informaram que sua mãe e irmãos estavam do LADO DE FORA e queriam falar-lhe.
A síntese do que temos dito é que essa estranha interpretação dispensacionalista da referida parábola, feita pela imensa maioria dos Teólogos atuais, tem por finalidade defender um Hipotético Reino Milenial, mundial, de proeminência Judaica, o que por si só já descaracterizaria qualquer Reino Liderado por Cristo, pois seu Reino é um " Reino de EQUIDADE", bem como tem também por finalidade livrar os Cristãos da perseguição da grande tribulação, mas este é assunto para outra ocasião.
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